Terça-feira, Maio 12, 2009

Eclesiologia


Qual é a festa da igreja protestante mais concorrida??? O Natal? A Páscoa?
Ná!
A festa onde as igrejas protestantes se enchem é o domingo das mães... Hum...
h
Moisés Espírito Santo explicaria. Eu fico-me pelos números.

Na escola, pergunta-me uma menina de 7 anos:

- "Ó teacher! Quantos anos tens?"
- 43.
- "Ah que fixe, é a idade da minhá avó! Podias ser minha avó!!!"

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As mãos do marido eram suaves - Longos dedos de pianista e menino de secretária. O emprego longe dos écran, papéis e teclas transformou as mãos. Em 6 meses de montagem e desmontagem de maquinaria as mãos estão ásperas, cheias de cortes, bolhas, crateras onde as chaves de parafusos e afins retiraram bocadinhos de carne que estavam no caminho. A rotina diária passa por chegar a casa retirar com uma massa própria o óleo das mãos e pôr betadine, ou um penso, ou espremer algo. As mãos do marido revelam o quanto ele abriu mão por mim.



Terça-feira, Maio 05, 2009

3 anos de blog...


... bem atribulado este último. Um blogger que se preze não abandona o seu blog... Mas relendo alguns posts antigo sinto que este relato me ajuda a lembrar de coisas que de outra forma jamais recordaria. Mas tempo...
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Talvez surgisse o blog da necessidade de partilhar emoções, ideias, planos. Sendo pastora, é isso que tento fazer todos os dias e depois parece que já não sobra mais nada para o blog...
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Vou tentar. Até porque muita gente me diz: "Escreve!!!"
Mas quando me sento ao computador, não me apetece partilhar. Quero interiorizar e esconder... Ah. Espero que seja uma fase. Voltarei.

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Pedido


A família é século XXI numerosa: 2 meninas, 1 rapazinho e outro que vem a caminho. O pai é um daqueles Tugas Temperamentais, que trabalha quando se sente motivado para tal e procura inspiração na cevada fermentada. A mãe - típica também - é sofrida, abgnegada. Trabalha pelos filhos, sofre pela família. Mas a pobreza ronda-lhe a porta. Milhares por esse Portugal, onde se ensina às meninas a abenegação e aos meninos o descaso. Nada de novo, nada de diferente, a história habitual. Mas estes estão perto da minha paróquia. E por isso eu e outras mulheres aqui da zona decidimos ajudar esta família.

Assim quem tiver roupa para menino recém nascido - nasce no verão, ou algo que tenha a ver com o enxoval de bébé, por favor deixe-me aqui um post, gostaríamos de oferecer o enxoval a esta mãe. Nesta época em que celebramos o dia da mãe e a semana da família, lembremo-nos daqueles que têm uma família com mais necessidades e daquelas que se sentem mal porque não podem ser a mãe que sonharam ser.

Berço, cama, toalhas, lençóis, produtos de higiéne, roupa, ovo, sling, tudo o que um bebé precisa e esta família não tem. Fizemos um Bazar e conseguimos algum dinheiro, mas se conseguirmos algumas coisas dadas, guardaremos o dinheiro para fraldas, leites e etc. que o bebé necessitar.

Obrigada
Até sempre.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Visitação


E no domingo passado tive uma reunião com o conselho de igreja no qual falámos de visitação: Quando, quem e como é que eu iria fazer visitação. Fazer visitação na Igreja do Bebedouro é complicado. Muitas das pessoas vivem em aldeias sem nome de ruas, e muitas das ruas não têm número. O que significa que ou vou com alguém que conhece o sítio, ou sozinha nunca vou chegar lá.

A última vez que tentei ir visitar alguém sozinha, um irmão da igreja disse-me que a casa que eu queria ficava depois do 2º candeeiro aceso. Ora à distância que estava parecia que só havia 2 candeeiros, quando cheguei à rua havia muitos candeeiros acesos e enfrentei numa das casas 2 cães de guarda - "Olhe que estranho eles deixaram-na passar!" - Quando vi os cães a ladrar-me à janela do carro, eu tinha respirado fundo e saído do carro confiada que o tal irmão me teria avisado se na casa em questão houvesse cães perigosos, na verdade a casa que eu queria não tinha cães perigosos, mas esta não era a casa que eu queria - "Eles não costumam ser tão simpáticos" (eles não pareciam simpáticos), comentou o vizinho depois de me dizer que aquela não era a casa que eu procurava, mais à frente tentei despegar-me de uma vizinha simpática que queria saber EXACTAMENTE o que é que eu era e porque queria visitar quem eu ia visitar, e desfiz-me em desculpas para não apoquentar um vizinho desconfiado que lá resmungou que era na casa ao lado. Portanto é uma odisseia fazer visitação no campo.
Mas voltando ao assunto. Na tal reunião escrevinhei os nomes das pessoas a visitar, e os nomes são deliciosos:
Muitos ti qualquer coisa: Ti Olívia, Ti Piedade. Muitos filhos de... mãe de: Filha da Alcina, mãe do João. O Zé da Tila. E a mais interessante a Ti Maria da Loiça...

Os netos de novo.


E no outro dia dei por mim a observar os selvagenzinhos do Tojeiro. O olhar sempre à procura de quem está a olhar para eles. A necessidade constante se serem notados, de não passarem despercebidos. Olham para mim para ver se eu os estou a ver. Desafiam com o olhar. Grande solidão deve ir naquelas almas que não sabem dizer que estão tristes, e por isso causam tristeza aos demais.

Um deles seria um óptimo aluno se quisesse (ou a vida premitisse). Um amigo meu que trabalhou com crianças de rua na cidade do México, diz que os miúdos que fugiam de casa eram normalmente os melhores miúdos. O N. é inteligente, até é simpático com alguns miúdos e ajuda-os nas fichas, mas depois há dias em que risca e rasga os cadernos dos outros. Dá uma tapada nos livros e folhas dos outros para elas caírem. Grande vulcão deve ir lá dentro. Quando o mando para fora da aula, normalmente acalma - sem audiência faz tudo com ar triste mas perfeito. Outros dias foge.

Dou voltas à cabeça. Como é que eu posso ser uma bênção para estas crianças (ao mesmo tempo que lhes tento ensinar inglês)?

Sinto que tenho que estar lá para ajudar. Mas o caminho não é claro. Entre dias em que estou fartas deles. E os momentos em que percebo que que eles precisam de alguém que lhes mostre interesse.
Day by day...

Sexta-feira, Março 13, 2009

Os Netos de Rousseau


Depois de vários anos em acampamentos com crianças difíceis, de lidar com adolescentes pré-delinquentes e mesmo delinquentes (daqueles que batem, espancam, roubam, incendeiam coisas, etc..) com os quais nunca tive qualquer problema em me relacionar, nada me preparava para dar aulas a miúdos de 8 anos completamente libertos de algum valor de civilidade ou respeito.

Durante algum tempo as coisas acalmaram nas tais aulas de inglês. Mas ultimamente, seja a primavera, seja o vento a verdade é que especialmente numa das escolas o mau comportamento é uma constante. No outro dia ao entrar na escola vi uma auxiliar a rebocar um miúdos que tinha batido numa colega, enquanto a outra tentava sentar um outro aos pinotes. Um dos meus alunos entrou na aula logo a bater e a puxar o cabelo da colega, enquanto outro gritava em plenos pulmões e passava uma rasteira a outra menina, e um outro se ria e se deitava no chão, para chavascal dos restantes.
Acho que não tenho soluções.
Uma das professoras titulares diz que vai já este ano para a reforma porque já não aguenta, e a outra conta os anos para se reformar.

8 anos! Oito anos têm as crianças que fazem desmorecer gente que se entregou ao ensino toda uma vida. E os pais? Pois muitos deles acham que os filhos têm o direito à escola como toda a gente tem o direiro de poluir e usar os recursos da terra: Sem deveres, sem cuidado, sem respeito. Uma mãe de uma escola ao lado vangloriava-se, no café da terra, de ter virado a mesa à professora e "A sorte dela (professora) - continuava a mãe a dizer - foi eu estar de bom humor, senão partia-lhe a cara toda!" Porquê? Porque a professora lhe disse que o filho era mal educado. O que provavelmente era mesmo verdade. Acho que os professores deviam ser espécies protegidas, daquelas em que se tem que pagar multas por por em perigo.

O que acontece é que muitos destes miúdos aprendem que não precisam de respeitar nada excepto a força - tenho a certeza que a maior parte deles apanha e apanha forte em casa, o que leva a que só parem quando apanham - mas não respeitam o outro só porque é um ser humano. Estes pais estão a criar gente violenta que não se quer esforçar. Que acha que tem direito a tudo sem trabalhar. Que acha que só porque pode, deve causar mal aos outros. No fundo eles esperam que eu lhes bata e como eu não o faço, pensam que como não há consequências, podem portar-se mal.
Não acho que as estes miúdos tenham nascidos selvagens, mas acho que ninguém lhes ensinou respeito, deveres, cuidado. E percebe-se os miúdos que têm lares estáveis e pais que são pais a sério. Podem ter dificuldades, podem fazer barulho, podem desobedecer, porque é normal mas não prejudiacam os outros de propósito. Nada substitui o lar, e à escola chegam miúdos sem qualquer estrutura ou princípios.

Muitas vezes os programas ensinam que é preciso estimular, fazer interessar, divertir os alunos. Concordo com aulas diferentes, interessantes, desafiadoras, mas no final há sempre uma dose de esforço que é necessária para aprender: No mínimo ouvir as regras de um jogo, estar calado quando os outros jogam, não roubar/destruir/riscar os cartões/desenhos/brinquedos do vizinho, não atropelar os outros para passar à frente, não fazer batota. Mesmo nos jogos há regras.

Eu teria uma regra: A escolaridade deveria ser gratuita para todas as crianças que se portassem bem (e portar bem não significa ser um santinho). Mas os pais que não acompanhassem os filhos, que não os ajudassem, que desafiassem a orientação dos professores, que têm uma vida tão destruturada que isso se repercute no modo como os seus filhos se relacionam com os colegas e professores deveriam pagar a escola e/ou ser obrigados a frequentar cursos para pais. Porque ter um professor é um privilégio. Ter alguém que dedica horas a outras pessoas devia ser reconhecido e não pisoteado. Estas crianças são esponjas, espelhos do que aprendem em casa e levam para a escola. E devemos-lhes o esforço de lutar pelo seu futuro. E se os pais não conseguem sozinhos há que os ajudar, ou forçar a receber ajuda. E no fundo eles são ainda umas crianças, que choram quando perdem a borracha, que me pedem para afiar o lápis quando o bico se parte. Têm oito anos.... Crianças que de tão revoltadas têm que espalhar a sua dor à sua volta. Sinto um misto de pena e de saturação quando penso nos meus alunos problemáticos.Pobres crianças mal-educadas!

Mas digo-vos que prefiro um dúzia de adolescentes dos bairros problemáticos de Lisboa a estes netos campestres de Rousseau.

Terça-feira, Março 10, 2009

Máquinas


Na província não há transportes públicos dignos desse nome. Uma camioneta de manhã e outra à tardinha, para algum sítio é o máximo que se consegue. Trabalhando o marido perto de Ílhavo e eu no Bebedouro e Tocha, precisamos desesperadamente de comprar um veículo motorizado - não pode ser bem um carro porque as finanças não o permitem.

E no reino dos carros usados a frase típica dos vendedores é: "Está como novo!" O marido foi ver um dos tais que o vendedor assegurava "estar como novo". O chaço velho em questão, desconsolado e de pneus em baixo, não convencia o meu marido. "É de 83, mas está como novo!" Repetia esperançoso o vendedor. Olhando para dentro do Peugeot 205 - que teria supostamente 4 lugares - repara o marido que lhe falta um dos bancos traseiros. Incrédulo, o marido reolha o veículo para ver se estaria o banco rebatido, mas não, no lugar do banco estava mesmo um espaço. Não parecendo impressionado com o facto o vendedor continua impávido a falar do bom preço e da tal qualidade suprema de "estar como novo."

Outra coisa que reparei é que quanto mais estafado e desconjuntado está um veículo, mais "inhos" se usa para o descrever.

Um carro é bom, tem uma mecânica impecável, e vai durar uns bons anos. Dos desgastados e baços veículos idosos diz-se: "o carrinho está em muito bom estado", "o motorzinho está muito jeitoso", "as mudanças estão muito boazinhas", "a mecânicazinha está muito aceitável," "O carrinho ainda vai durar uns aninhos".

Sexta-feira, Março 06, 2009

Ordenação - reflexões

1. Havia um homem que decidiu fazer um banquete e convidou os seus vizinhos, amigos e conhecidos, alguns deles recusaram ir dizendo: "Tenho outras coisas para fazer". "Tenho coisas que me impedem de ir." Então vieram da rua pessoas que o senhor não conhecia e quiseram descobrir o que era aquela festa, e porque celebrava assim o senhor.
Aqui vão os momentos mediáticos:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=8&t=Mulher-ordenada-pastora.rtp&article=205446

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=1115

2. O impôr das mãos é confiança e envio. Depositam-se esperanças e necessidades. Envia-se com o desejo de futuro. O impôr das mãos é dizer: "Que bom que o nosso Deus te trouxe até aqui!" É dizer: "Que o Senhor te empurre daqui em diante!" O impôr das mãos é carrego que atasca, é leveza que faz voar. Numa ordenação é-se abençoado para servir.

3. Ser pastor/pastora, é um caminho sem mapa, com poucas áreas de serviço, com muitos pneus furados, avarias, despistes e embates. Olham para nós como se devêssemos ser perfeitos e rejeitam as nossas fraquezas, enganos, cansaço. Pensam em nós como super-homens/mulheres. Mas um pastor sabe que é o mais fracos de todos, porque muito lhe é pedido. Só agora durante o estágio a aura de proximidade divina se transformou na luta diária para não largar a mão de Deus. Dizia-me um querido pastor amigo, no dia seguinte à ordenação: "Ser pastor é escolher também o caminho do sofrimento."

4. Basicamente ser pastor é ser luz no meio das trevas. Mas abomino as trevas. Queria viver no mínimo à média luz. Queria ser candeeiro de uma rua bem iluminada. Aquele candeeiro que está aceso durante o dia e quase não se dá por ele. Nada assusta tanto como estar sozinha, diferente, destacada no meio da maioria. E ser pastor é ser luz que luta. Não queria lutar. Queria companhia, consolo, segurança.

5. Ser pastora é luta a dobrar. É preciso justificar. Mostrar que se é digna. Que se é capaz. O mundo religioso ainda é feito à imagem masculina. Nós somos excepção. A novidade. Aquela que é preciso provar se...

6. E como sempre -
Mesmo depois de ordenada -
Se dizemos o que pensamos,
há sempre um homem que nos diz:
"Mulher está calada!"

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Laranja amarga e doce - mudança de local

Por questões logísticas, as ordenações tiveram que ser separadas.
Assim eu serei ordenada em Lisboa na Igreja de Febo Moniz no sábado 28, pelas 15h00;
e os meus colegas na Igreja do Bebedouro, zona centro no domingo dia 1.



Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Conferências na Cidade

E desta vez é o Professor Dimas Almeida que será o orador das nossas conferências.
Universidade Lusófona, 10h00 da manhã. Sábado 7 e Sábado 14.
Não percam!

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Up date

Escola:
Os terroristas do Tojeiro estão domados. Fichas e mais fichas, intervalos que não o foram, notazinhas para casa e o problema resolveu-se. Ainda há tentativas de sublevação, mas no geral as aulas correm sem problemas e esta semana, em dois dias cheguei a ouvir o mais cristalino silêncio... de repente dei por mim com eles todos calados a escrever... Agora ajudam-me a apagar o quadro, a descolar as cartolinas, a arrumar as folhas... é interessante no fundo eles não querem portar-se mal e agradecem que nós não os deixemos.
NOTA: Não encontrei um único familiar que transportasse as crianças nas bicicletas e motas com capacete. Nos carros metade deles vão à frente e alguns sem cinto... Até arrepia!


Vida: Já fizemos 6 meses de casados. Um deles a vivermos juntos!!!! O tempo corre mais rápido, os contadores disparam velozes, as compras desaparecem num instante, as máquinas trabalham mais vezes. Gostei de viver sozinha, tem as suas vantagens: concentração, independência. Mas não me apetece voltar a viver assim. Há coisas giras que se podem dizer do marido. Mas a mim aquilo que me chama a atenção é que o meu marido me comove. O temperamento dele - tão diferente do meu - é claro, cristalino. Sei que ele é melhor pessoa que eu. Felizmente na nossa teologia não se ganha a vida eterna por mérito. Ficaríamos em céus diferentes. Ele uns céuzitos mais acima. Assim nesta horizontalidade salvífica que prego tenho chances de viver com ele para sempre.

Fé: Querendo Deus serei ordenada dia 28 de Fevereiro. É uma frase grande, tão pesada, tão sugadora. Ser pastora não foi o sonho de uma vida. Foi uma chamada tardia, resistida, inacreditada. Estes últimos meses tenho procurado cá dentro o caminho a seguir. Quero respostas, certezas, alicerces. Deus oferece-me indícios, caminhos, sonhos. Nós somos barro, Deus é sopro de vida. E como tal temos dificuldade em nos entendermos.
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Pintura: site: Evangile et peinture.

Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

4º Domingo de Advento


No centro de saúde de Cantanhede, ouço o programa do Goucha. Uma mulher com 5 filhos e uma delas com paralesia cerebral dizia: "Não gosto do Natal! - e dizia que era difícil explicar às crianças porque é que elas não podiam receber presentes."
E penso que enquanto no mundo houver um pobre que diga: Não gosto do Natal, é porque nós não espalhámos convenientemente a mensagem de libertação e salvação.
d
Podemos usar rios de tinta falando do verdadeiro sentido de Natal, que não tem a ver com consumismo, verdade.
Mas o Natal foi anunciado numa aldeola esquecida no meio da terra samaritana: Nazaré, a uma mulher do povo simples e comum: Maria, os anjos cantaram para gente desprezada: os pastores, uma estrela guiou um bando de estrangeiros: Os magos. O Natal é uma mensagem que transborda oferecida aos que nada têm ou são diferentes. O Natal não tem nada a ver com anjinhos rochunchudos, estrelinhas cintilantes, o Natal é uma mensagem de guerra ao mal. De luta contra os impérios terrenos. É o Messias libertador que vem em socorro do povo humilhado e subjugado. E por isso enquanto que o Pai Natal dá aos que já têm, o Natal oferece aos que já desistiram de pedir. Enquanto o Pai Natal ilumina as casas quentinhas, espaçosas e refinadas, o Natal diz: confortai, confortai o meu povo.
Esta é a mensagem de Natal: confortemos os que nada têm, os que desistiram de sonhar, de esperar dias melhores.
h
Enquanto houver alguém a dizer que não gosta do Natal porque lê nos rostos dos filhos a realidade crua da pobreza, então falhámos.

Sábado, Dezembro 13, 2008

3ª Semana de Advento



Desce a noite lenta, sobre a terra,
Bela e triste, quase irreal!
Bela demais em seu sublime encanto,
triste demais para nascer um santo:
Nasce um Deus neste primeiro Natal.




À Ordem de César, Belém se agita
anima a cidade o decreto real;
cheia demais está a hospedaria
à jovem cansada, resta a estrebaria,
Nela nasce Deus no primeiro Natal.


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Pastores que velam na escura montanha.
ouvindo a nova do coro angelical,
Deixam o rebanho, em busca de luz,
primeiros crentes, vão ver Jesus:
Adoram Cristo no primeiro Natal






Sábios à espera do doce milagre,
Reconhecendo a estrela divinal,
Deixam o Oriente,

trazendo tesouros, Simbólica oferta –
mirra, incenso e ouro:
Presentes para Deus no primeiro Natal.
c

Homem,
Não maldigas tua sorte incerta,
Não tornes vã a noite sem igual.
Que importa que Jesus tenha nascido,
Que importa que Ele tenha sofrido,
Se Ele não nascer em ti neste Natal?


Deixa o orgulho,
A indiferença, o ódio,
Sê humilde e crente, abandona o mal.
Não faças do teu coração hospedaria
Onde lugar p´ra Cristo não havia:
Dá lugar a Deus neste Natal.

Aceita
A história simples da estrebaria,
A estrela linda, o coro angelical.
Entrega o coração em mística oferta,
Em tua alma haverá paz,
No céu haverá festa,
Se Cristo nascer em ti neste Natal.


Myrtes Mathias
Pintura: He Qi

Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Portugal no seu melhor


A avó presurosa, vai buscar os netos à escola. O garoto de 7 e a menina de 4 saltam de alegria.
A avó encosta a motorizada. Precavida veste casacos que protegem do frio e enfia gorros coloridos.
Já de saída, põe o capacete e senta-se na mota, salta o neto para trás e a neta para a frente. Os três afastam-se:
A avó de capacete e os netos de gorro.

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

2ª Semana de Advento


Advento é espera. E quando já não se espera nada? Ou se tem medo do que se espera?

Advento é esperança. A esperança dá cor à espera. Dá-lhe a certeza da beleza e bondade.

A esperança transforma a espera em desejo. E o desejo recria o futuro. Dá-lhe asas e alegria.

Espero, tenho esperança, desejo que neste Natal o Espírito me faça voar e sentir a mão de Deus que acolhe, conforta e envia.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Fugas



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Há tempos de bonança e alegria, nos quais esquecemos Deus repletos pelas bênçãos recebidas.

Há tempos de angústia e desespero nos quais renegamos Deus pelas dores inflingidas.
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Habank, Heilige Familie

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

1ª Semana de Advento


A história da Estrebaria ensina-nos a aproveitar o que temos. Metade da nossa vida perdemo-la vivendo no conjuntivo. Se... quando... então seríamos/seremos felizes.
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Nasceu o Salvador. Alegramo-nos? A história conta-nos que os anjos cantaram nos céus. Provavelmente nós diríamos: Ah... se ele tivesse nascido numa casinha aquecida, com umas roupinhas, mesmo emprestadas. E se houvesse uma fogueirinha... então poderíamos cantar o Natal. A estrebaria ensina-nos a tirar proveito do que temos... não temos o ideal, mas podemo-nos alegrar com a garrafa meia cheia.
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Queremos a perfeição. O ideal. A fantasia: O irreal. E somos tão garganeiros, que nos esquecemos de aproveitar o que temos. Ai que já tenho 40 anos! Ai que 10 pessoas não gostam de mim! Ai que o meu filho não tira um curso superior! Ai que gente irracional que me governa! Ai que... ai que... E esquecemo-nos da sabedoria que adquirimos. Das pessoas tão especiais e fiéis que nos amam e preenchem a nossa vida de alegria e amor. Que o meu filho é saudável e boa pessoa. Que cada um de nós tem a capacidade de escolher o seu destino. Que Jesus nasceu no meio do gado, envolto em panos.
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O ser humano tem a capacidade de se superar a si próprio, de ser genial, de ir mais além. Mas isso não pode infernizar a nossa existência. A capacidade para, não pode fazer com que deixemos de apreciar o caminho, a situação actual, o que de bom temos. Muitas vezes o desejo pela perfeição (impossível muitas vezes) envenena a realidade.
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A história da manjedoura, do burrinho, dos pastores visitantes, ensina-nos que do comezinho, da simplicidade também pode surgir a milagrosa, a redentora vontade conseguir ser feliz.
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Feliz Natal

Sexta-feira, Novembro 28, 2008

Kids

A minha turma da escola básica do Tojeiro tem 5 pestes masculinas e terroristas. Arrotos, traques, gritos, arrastar cadeiras o mais barulhento possível. Depois de algumas conversas psicológicas, decidi que não podia continuar assim.

A minha turma do Bebedouro, tem também 4 miúdos difíceis, um hiper-activo, um com dificuldade de aprendizagem, outro com muitos problemas em casa, e outro que gosta de chamar a atenção. Mas são diferentes. São traquinas, falam pelos cotovelos, levanta-se sempre que podem, mas não são mal-educados. Então com jeito, firmeza e brincadeira vão lá. Mas os dos Tojeiro são desafiadores e incivilizados.

As nossas instruções para o 1º e 2º ano, são para fazer aulas com muita oralidade e pouca escrita.
Resolvi então, que iam escrever até que lhes caísse os dedos: cópias, ditados, fichas - muitas fichas. melhorou. Ontem já com o volume geral mais baixinho, um deles sobresaía em gritos. Disse-lhe: "Se não te calar eu escrevo uma nota para os teus pais no caderno".
Tipo armado em bom o miúdo responde: "Não é preciso escrever no caderno! Existe a caderneta do aluno!!!!"
Ora bem, isso mesmo - e eu que nem me lembrara de tal coisa - assunto resolvido, e como se soubesse desde sempre da dita caderneta disse:
"Então dá-me lá a tua caderneta de aluno."
Silêncio sepulcral na aula.
"Hi...." ouve-se lá do fundo... Os últimos 10 minutos de aula foram fantástico. Hoje o 1º miúdo foi um anjinho, fez tudo tão bem que até lhe dei um desenho para pintar no final da aula como presente. Repeti a mesma receita com o sr. arrotos-e-traques - notinha na caderneta de aluno- e o ambiente brise e sonoro da aula ficou muito melhor...
Hum...
Acho que as próximas semanas vão ser mais silenciosas.

Sábado, Novembro 22, 2008

Exame


Hoje foi a Comissão de Exame que declarará se nos acha - os 3 pastores estagiários - dignos de sermos ordenados ao ministério pastoral. no final a Comissão enviou-nos com o texto de Mateus que diz: "Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos."
Os lobos serão sempre uma constante. Percebi, mas ainda não consigo serenar. Sinto também que para além dos lobos exteriores há uivos interiores que nos afastam da missão e do Reino. Sei que aos lobos se tem que responder com misericórdia, perdão e amor. Mas os uivos mandam-nos gritar a verdade. Erguer bandeiras de guerra contra o mal. Jesus caminhou em amor. Muitas vezes sonhamos com cruzadas. Duro com duro não faz muro diz-nos o povo. Não pela força, nem pela violência, mas pelo meu espírito diz o Senhor.

Medos? Muitos.
Que o afã de ganhar o mundo para Cristo, me faça esquecer dos mais pequeninos. Que a urgência de lutar pela verdade, me faça esquecer a misericórdia.
Espera-se que o pastor seja um exemplo de temperança, longanimidade, dignidade. Olho-me ao espelho e vejo um ser humano, nem melhor nem pior. Um ser humano: bondade e maldade. Perdão e ressentimento.

Medo? Que os meus erros se tornem pedra de tropeço. Que me esqueça que viver o Reino de Deus é claridade, entusiasmo, força, vitória. E... Alegria. Alegria. Alegria.
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Imagem: my_heart_is_in_your_hand_Barbara_Bagshaw

Sexta-feira, Novembro 21, 2008

Finitude


E de repente um amigo tem um AVC. Outra fica numa cama de hospital dias a fio. Morrem amigos. E damos conta que a juventude passou. Que o tempo de entrarmos surpresos nas estatísticas de doenças graves e prolongadas chegou.
40 anos. A meio da caminhada. O tempo da ascenção ficou para trás. O nosso corpo vai cedento. A nossa vida como as barrinhas dos downloads avança afanosamente. Carpen diem. A segurança inconsciente dos anos em que pensamos que temos muitos pela frente e por isso não pensamos, disolve-se.
Quero sorver a vida. Há tantas coisas que quero estudar, saber, fazer, ser.

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

Macedónia

CASAMENTO
Este sábado celebrei a primeira bênção matrimonial. A minha colega (Sandra) e eu somos pastoras todo o terreno: Escolhemos as passagens bíblicas, elaborámos e imprimimos a liturgia, fizemos o tradicional powerpoint com as fotos dos noivos, abrimos a porta da igreja, salvámos o vestido da noiva pois a familiar-decoradora tinha prantado velinhas mesmo no sítio onde passaria e se instalaria o vestidinho - na verdade salvámos também o vestido da madrinha do noivo que estava sentada com uma saia com bainha de tule a 20 cm do chão onde ardia espevitada uma outra velinha. Pusemos a marcha nupcial, fizemos a cerimónia, colocámos de novo a marcha para a saída e ficámos a varrer o arroz do chão e a tirar as flores dos bancos da igreja. Serviço completo.

CASAMENTO meu. (hoje fazemos 4 meses) O marido arranjou trabalho em Coimbra!!!! A partir de Dezembro vamos viver juntos!

ECONOMIA. A crise aperta. Esta semana comecei a dar aulas de inglês em escolas primárias aqui da zona. Como são escolas pequenas tenho turmas com todos os 4 anos juntos. É um desafio. Dar 4 anos em 45 minutos. Mas sinto-me feliz. Levo a viola - encontrei uns livros na livraria britânica com músicas inglesas giras - depois da música as fichas com os trabalhos parecem melhores. Gosto muito de crianças e é óptimo cantar e fazer jogos, ensinar que inglês pode ser interessante, útil e divertido. Mas há crianças com problemas. Algumas têm o olhar parado, outras são desconfiadas, outras não conseguem deixar de bater, empurrar, gritar. Nota-se tão bem as crianças amadas. Podem ser tímidas, mas há uma calma, uma serenidade. Podem ser expansivas, mas o sorriso é feliz. As crianças sofridas têm já nesta idade um peso. Quero muito poder ajudá-las.

Já disse que o marido vem viver cá para cima?

MILAGRE. O M. salvou-se. Depois do AVC os médicos não deram esperança. O amigo do M. que me ligou, entrou em contacto comigo principalmente para me preparar para o pior. Durante 15 dias depois do AVC o M. estava em coma profundo. Depois que as pessoas da igreja souberam e começaram a orar, de repente houve melhoras. 1º Desligaram-se umas máquinas: o M. já respirava por ele. Depois ele apertava a mão: os médicos advertiram que podiam ser movimentos sem razão. Pouco a pouco o Miguel reagia à presença dos amigos e familiares apertava a mão respondendo e depois sorria ou franzia as sobrancelhas. Pouco a pouco os olhos foram recuperando a alma. Ninguém esperava, mas a partir do dia exacto em que começámos a orar o M. começou a melhorar. Agora foi para Alcoitão. Consegue ler, tem as mesmas posições políticas e éticas - ou seja continua a ser ele e já diz umas palavras.
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Durante o tempo em que esteve no hospital, os doentes e famílias do quarto e os enfermeiros pasmavam primeiro e sabiam depois que o M. tinha visitas o dia todo, mais de 10 pessoas por dia passavam pela sua cama. Homens feitos que se escusariam a dar de comer a uma avó ou idoso da família com o pretexto de que não tinham jeito, largavam jornais, revistas, os testes para corrigir da faculdade e empurravam colherada a colherada as papas que o M. tinha que comer. Era comovente. Senhoras da igreja, que faziam leite-creme e lhe levavam, faziam "excursões" ao hospital, lhe diziam: "M. eu gosto de si como se fosses meu filho ou meu neto, precisamos de si." A doença trouxe proximidade, toque e cuidado que a saúde jamais permitiria.

Sábado, Novembro 08, 2008

Onde se fala de movimentos ad intra

A minha amiga repreende-me por nunca mais escrever. E de repente percebo que não escrevo há quase um mês!!! Sinto-me a retrair como se não quisesse partilhar o que sinto e penso. É interessante estes movimentos de alma. Há 2 anos atrás não conseguia guardar o que pensava, tudo o que me vinha à cabeça queria desesperadamente publicar aqui. Agora é como se um pudor cobrisse o que penso. Não sei se é por viver sozinha há já 2 anos. Mas é como se as palavras custassem a sair.

Tudo aquilo que realmente pertence ao ser humano são os poucos cm 3 do seu cérebro. Aquilo que penso pertence-me inteiramente e ultimamente, sinto que é tudo demasiado pessoal. Não sei se é por ter vindo para novas realidades onde tenho que me expôr e dar a conhecer. Não sei se este mês onde falava o dia inteiro sobre mim, a minha igreja, o meu país, as minhas ideias, as minhas teorias... ainda me contraíram mais...

Mas sinto-me a fechar.

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

porque se sentava e comia com publicanos e pecadores...

Devia escrever sobre a América, melhor sobre os Estados Unidos da America, mas isto de escrever sem acentos nao está com nada, e a dar uma vista de olhos por um blog amigo que fala sobre homosexualidade, o colega perguntava: P.S. Onde estão os cristãos no meio desta discussão?
Pois digo-te Nuno, se os cristãos estão do lado dos estigmatizados, dos mais frágeis, daqueles que a sociedade rejeita porque nao são "normais" então estão do lado certo. Aquilo que é normal vai mudando. Aquilo que o cristinismo diz é: "abraça os que o mundo rejeita" e não "julga quem não é igual a ti."

Terça-feira, Outubro 14, 2008

Professora


Alegre, estouvada, meiga, brilhante. A Manela faz parte da minha adolescência e juventude. A Manela foi a minha professora de escola domincal (catequese) da classe dos adolescentes e jovens da qual ninguém queria sair, mas ela foi muito mais. Com ela aprendi tudo o que sei sobre encenação, escrever teatro, poesia, jograis, a ter as grandes e malucas ideias que dão alma a aprensentações e liturgias. Grandes produções fazíamos na 1a Baptista. Cenários faustosos, guarda-roupa inimaginário, mega-produções muito à frente do comum. Fumo (o que ela gostava de ter fumo nas peças...) Aprendi a ter o sentido da audiência, do público, de projectar a voz, das nuances. Tudo o que tem a ver com a relação com quem nos ouve.

Com ela aprendi a tenacidade de dirigir jovens, de os animar e encorajar, a dar oportunidades a todos, a tirar o melhor de cada um, a procurar dons a acreditar no melhor de cada pessoa. Com ela aprendi (não muito bem) a fechar os ouvidos às críticas e a saber que há um bem maior. Aprendi a abrir a bíblia e a encontrar os livros, as histórias, o sentido. Intuitiva, empática, desbocada. Paciente. A paciência com que aturava adolescentes (eu incluída) que palravam ineterruptamente durante a escola dominical armados em sapientes biblicistas!!!

Ninizinha. Era como ela me chamava. Ninizinha meu amor, vem cá à mãe. Eu não estou a dizer isso por dizer - e passava a mão pelo cabelo, abanava a cabeçaa e punha a mão no peito - mas tu és especial para mim. Repetia-me ela sempre que me via. Ao longo dos anos esta frase foi-se tornando especial. Pois fui-me apercebendo de que uma mulher de Deus, de grande valor gostava de mim.

Querida Manela. Ela não tinha um pingo de orgulho. viveu segundo o lema: É necessário que o meu Senhor cresça e que eu diminua. Não reconhecia o dom de escrever como seu. Dava tudo o que escrevia: Peças, poemas, jograis... Tudo era para o Senhor que um dia aprendeu a amar e que nunca deixou de servir, engulindo criticas e muita injustiça.

Lembro-me do carro: Sapatos, folhas com poemas meios feitos, outros com muitos anos, lingerie, caixas com bolos que nos trazia para os ensaios, fatos que desencatava numa loja qualquer e trazia para as festas, cabeleiras, pandeiretas, tudo ao molho. Foi com ela que fui pela primeira vez ao Amoreiras, que comi pizza.

Querida Manela, estou a imaginá-la agora a tirar uns toalhetes para limpar umas nuvens assegurando-se que estão suficientemente desinfectadas para se sentar.
Dói-me o facto de estar longe e nao a poder acompanhar à sua penúltima morada. Já sabem no meu funeral, fiquem na igreja a cantar a noite toda, tragam violas um piquenique e fiquem a noite toda a contar histórias da velha Manela. Não pude fazer a tua vontade, mas hoje entre cada avião que tomei lembrei-me das músicas que tu gostavas, relembrei tantos ensaios. Vou ter tantas saudades tuas.

Este ano vieste cantar nas igrejas onde eu estava colocada. A tua voz. A tua inconfundivel voz que cantava para Deus tinha perdido um pouco da força mas não a razão de ser.
Há 3 meses -precisamente dia 12 - vieste ao meu casamento. Estavas tão feliz porque te convidei. Fiquei tão feliz que pudesses vir. Pensei que estavas a ganhar a batalha, estavas magrinhas, cansada, mas o teu sorriso. Sonhei com mais uns tempos. Deste-me o teu último abraço estava eu vestida de noiva. Nunca o vou esquecer. Olhaste-me bem nos olhos e disseste: Desejo que sejas tão feliz! Desejo tudo para ti o que desejo para a Teresa, tu sabes que é verdade! Sim eu sei. Por isso custa tanto.

Acho que ela foi a melhor professora de todos os professores que jamais tive na vida. Adeus minha querida professora da Escola Domical.

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Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Uma terra linda de morrer

E nestas semanas já estive em 4 estados:

Pensilvania. Antiga, victoriana. Elegante. Gente reservada. Simpática. O Outono tem cores de amarelo e vermelho. As árvores altas ganham cores quentes. Pequenas montanhas.

Nassville, Tenassee. O sul no seu explendor. uma cidade dinâmica. Com gente que fala com toda a gente na rua. Gente alegre e divertida, expontânea e extrovertida. Os subúrbios são fantásticos, casas lindas, jardins a perder de vista. Sem muros, sem árvores a tapar a vista. As casas não têm protecção. Janelas enormes, portas cheias de vidros, ninguém fecha a porta quando está em casa.

Minnesota & Wisconsin. Paisagem a perder de vista, Milhas e milhas de vales, colinas e prados de todos os tons de verde, amarelo e vermelho. Estradas largas. Cidades mais pequenas. Gente mais introvertida. Pouca diversidade cultural. Antigos colonos da europa do norte. Reservas de índios que sobrevivem através dos casinos que as reservas possuem. Igrejas com menos gente. Aliás muita gente migra para outros estados porque a economia está mal.



Por toda América as casas são completamente desprotegidas. O crime é baixissimo nos subúrbios. Ninguem fecha a porta quando esta em casa. Volto a dizer as portas são com muito vidro. As janelas são enormes, sem janelas de madeira ou estores. É fantástico de ver para quem vem de Lisboa...

Sexta-feira, Outubro 03, 2008

America

Pessoas.
Fantásticas, simpáticas, acolhedoras. A maior parte nem sabe onde fica Portugal e na aula da universidade onde fui dar uma conferência um jovem perguntou (depois de eu falar de Portugal e mostrar no mapa, e contar um pouco da história de Portugal, etc..) se falávamos espanhol ou inglês. Algumas perguntam se temos televisão, se vamos à escola e espantam-se de eu falar inglês e saber onde ficam os estados do EUA no mapa. Mas todas simpáticas.

Nation. Tem orgulho. Tem esperança. E princialmente tem pessoas que se importam com os que têm menos, que são mais fracos. O sistema capitalista só funciona na América, porque as pessoas de bem dão do seu tempo, do seu dinheiro, da sua vida para ajudar os mais fracos. O sistema capitalista não funciona. O que funciona, descobri esta semana, é o coração dos americanos.


Gente que dá horas de serviço comunitário, dias de ajuda. Que dá dinheiro, recursos, educação. Esta última semana. visitei várias agencias de ajuda na cidade de Nashville. Gente que constrói do nada albergues para sem abrigo e que lhes dá "esperança" a directora disse: "Temos que primeiro que tudo dar-lhes afecto, empatia. Eles têm que se sentir compreendidos, aceites. Só depois nos dizem as verdadeiras razões porque vivem na rua. Se não sentem isso dizem que é porque escolheram, porque não querem viver nesta sociedade. Só quando confiam em nós relatam as famílias que se desintegraram, os empregos que perderam, as casas que deixaram de poder pagar. Então depois podemos ajudar." Como? Aulas de arte, musica, espiritualidade. Em simultâneo dão comida, roupa, dormida e têm pessoas que os ajudam a encontrar-se e a encontrar emprego novamente. Algumas pessoas que lá trabalham foram ex-sem-abrigo também. Mais do que comida e abrigo (já agora as igrejas de toda a cidade abrem as portas nos meses de inverno e os sem-abrigo dormem nas igrejas. Não destroem os templos e salões sociais? Não. Têm cuidado porque percebem o quanto lhes é dado). Esta instituição oferece um plano para sair das ruas. Mas primeiro aceitam-nos, respeitam-nos, fazem-nos sentirem-se bem com eles próprios, só depois vem o plano para sair de onde estão na vida. 50% dos ajudados deixa de viver na rua.

Gente fantástica. contarei mais sobre estas pessoas que dão de si. Esta semana vi gente a cuidar de crian,cas de adolescentes, de velhos, de gente que perdeu a casa (gente que tem trabalho, que sempre trabalhou, mas que por causa de uma doença perdeu tudo). Gente a lutar contra a pena de morte, que na realidade só mata os negros e os pobres. Aqueles que não conseguem pagar a um bom advogado. Só para estatística. No Estado do Tenassee há 120 pessoas no corredor da morte. 4 (quatro) tiveram dinheiro para contratar um advogado privado. Todos os outros tinham advogados atribuídos pelo Estado, normalmente advogados que ninguem quer contratar - Destes advogados que defenderam estes casos de pena de morte, 50% era o seu primeiro caso e 25% foram mais tarde expulsos da ordem por alguma razão. Dos que estão no corredor da morte. 70% são negros. Não porque haja mais criminalidade negra. Mas porque os negros são os mais pobres.

Eu sempre acreditei que as coisas na america funcionavam. Que a lei do mercado, desde que houvesse trabalho e oportunidade funcionava. Em Nova Iorque vi toda a gente a trabalhar, com ar feliz. e pensei: Acho que é importante o Estado providenciar, reformas, assistencia social, mas aqui o sistema parece funcionar. Mas o sonho americano é diferente visto por dentro.Os pobres da america. E cada vez são mais, devem a sobrevivência à generosidade das igrejas e das pessoas de bem. O sistema deixa de fora os que não têm sorte. Num post antigo eu dizia que a America é a terra das oportunidades e Portugal é o país da sorte. Continuo a achar que é a terra das oportunidades. Mas temos que ter a sorte de não adoecer, de encontrar as pessoas certas que nos ajudem...


Give me your tired, your poor,
Your huddled masses yearning to breathe free,
The wretched refuse of your teeming shore.
Send these, the homeless, tempest-tossed, to me:
I lift my lamp beside the golden door.



"Dêem-me os cansados, os pobres, suas massas apinhadas,
que anseiam por respirar em liberdade.
A recusa desventurada de seu porto abundante
envia a mim esses desabrigados assolados pela tempestade.
Ergo a minha chama ao lado do Portão Dourado.


Isto é o que está escrito numa placa na base da Estátua da Liberdade, e ainda que a política Americana não viva por esta regra, a maior parte dos americanos, não esquece como é que os seus avós chegaram à America e que retribuir as bênçãos que recebe de Deus.

In the heart of America

E ando de bolandas. Cada noite durmo numa casa simpática. Tantas que nem lembro dos nomes de todos os meus anfitriões. Republicanos e Democratas. Vi o debate presidencial em casa republicana e o de vice-presidentes em casa democrata. Embebida em cultura, sugando o tutano americano, é como me sinto. Eleições ao vivo!

Palin parecia uma menina esperta que papagueava bem a licao. Obama muito nervoso nem ouvia o final dos argumentos de MaCain, queria sempre interromper. Biden foi excelente. Todos falam mais do passado do que do futuro. Penso que poucos saberão como sair do embróglio que é o Iraque.
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Depois detestei aquela atitude pindérica de Palin: "sou mulher, sei o que faço, dei provas disso no Alasco!" vs "Ai mas sou dona de casa como todas as mulheres, a minha família é de classe média e fica à volta da mesa da cozinha sem saber como mandar os filhos para a universidade."... please!!! Ela tem um ordenado de governador!
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"Não percebo nada destas coisas de política" como vocês de Washinghton"... Bu!!!! " Eu quero ser vice-presidente, mas o povo americano quer que o políticos em D.C. os deixem em paz na sua vida! O povo americano não quer que os políticos se metam na sua vida" (?!) Então para que é que ela quer ir para a política???? Se os polítcos em Washinghton não são de confiar, porque é que ela vem do partido que está no poder, apoia MaCain e quer ser vice-presidente??? E para além disso porque é que ela tem que fazer o teatro de ser taralhouca? Porque é que as mulheres em locais de destaque têm que pedir desculpa se sabem do que falam? porque é que têm que agir como "louras burras" para ganhar simpatia?
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MaCain foi elegante, deu a cara, apostou. Teve coragem de ser quem é e não pedir desculpas por isso. Aliás acho que será melhor presidente que Bush - não será difícil - tem mais coluna cervical. Palin fez-se de mulher tonta para ganhar votos de donas de casa desesperadas e maridos trogloditas que acham que as mulheres têm que ser um pouco burras para serem verdadeiras mulheres... Grrr...

Só mais uma preciosidade: "Queremos liderar os outros povos, os nossos amigos e aliados na luta contra a poluição, A America vai liderar os outros povos na defesa de políticas de ecologia e ambiente." AH.... JOKE!!!
Provavelmente ela estava a fazer queques ou tinha ido matar um veado e o acordo de Quioto passou-lhe ao lado. Sad.

E ontem o Saturday Night Live transamitiu esta visao do debate:
http://www.nbc.com/Saturday_Night_Live/video/clips/vp-debate-open-palin-biden/727421/

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

On the road again...






So here I am, with my bags (not yet packed) to USA.

Um mês (inteirinho) a partir de segunda feira.

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Abriu a época da caça...(as coisas que eu descubro vivendo aqui)

Pois foi, e como é que eu sei? Porque há duas semanas para cá acordo todos os fins de semana e às quintas-feiras às 6hoo.
Vivo por cima de um café onde por volta dessa hora vêm os caçadores com o rádio aos berros e os cães a latir, beber a cervejinha da ordem. Hoje os cães começaram a ladrar ou a lutar (o ladrar e o rosnar eram acordadores) e os donos a gargalhar e a atiçar. Eu que vivi 2 anos em Madrid ao lado da estação de comboios, acordo agora com esta distração matinal. Pimba + ladrar + gargalhar + vozes de macho a atiçar cães.

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Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Casamento na Gândara

1º O casamento aqui começa com um ENORME pequeno-almoço no local da recepção: Salgadinhos, pãezinhos de leite com fiambre e queijo, não está mal... mas para além disso é claro que não pode faltar o leitão logo de manhã e é possível encontrar saladinha de atum, chanfana e para acompanhar cervejinha fresquinha e vinho verde.

2º Em cortejo chega-se à igreja para onde uns amigos do noivo precavidos, não vá o casamento demorar muito, transportam uma geleira com várias garrafas de vinho verde, pois homem que é homem fica à porta da igreja, ora se o sermão demora muito não se fica ali ao sol com a garganta seca, enfileiravam-se já bastantes garrafas junto ao muro da igreja, quando finalmente descem os noivos que são atacados com vários pacotes de arroz e algumas pétalas. Na verdade os pacotes de arroz são despejados directamente sobre as cabeças dos noivos. Fogem os noivos para o carro já todo enfeitado de fitas e flores.

4º O almoço,servido às 4h00 é bom e suculento. Mas... coisa interessante os casamentos têm uma espécie de intervalo - antigamente era porque as pessoas tinham que ir dar de comer aos animais e tirar o leite às vacas, hoje é porque já é tradição. -Então eu que tive que sair antes do almoço acabar pois tinha um ensaio na igreja, quando volto descubro o local quase vazio, com o habitual grupo de animação a repetir as músicas do Quim Barreiros até à exaustão. Por volta das 21h voltam as pessoas mas já vestidas de outra maneira, fica o marido de fato a destoar. Eu até gosto de trautear música Pimba, só que este grupo em 10 múscias que cantava 8 era do Quim.

5º O baile. Interessante os rapazes e homens que resistem quase todos aos pedidos das namoradas e mulheres para dançar, abraçam-se uns aos outros e dançam: pulam todos aos molho com Chutos e Pontapés e comprimem-se dois a dois bem juntinhos com o Quim Barreiros e etc... Interessante mesmo.

6º Corta-se o bolo com fogo de artifício e depois voltamos para o jantar. Por volta da meia-noite despeço-me pois o dia de domingo é de trabalho, mas a festa ainda deveria estar para durar.

Going to the USA

E durante 1 mês vou andar pelo USA profundo. De Detroit, cidade dos carros à Nation´s Capital, de Nashville Tennessee, capital do country à região dos grandes lagos, Mineapolise a Tulsa. Será interessante visitar as Igrejas Presbiterianas que coabitam o Bible Belt. A Igreja nos Estados Unidos vê-se agora como campo de missão. Antes grandes impulsionadores do envio de missionários, querem agora receber missionários que os "ensinem e lhes falem da Palavra de Deus."
Humildade ou acomodação? Tempo de pausa para aprender ou render-se à realidade que já ninguém quer sair da zona de conforto que é o Ocidente? Não sei. Mas dentro de uma semana, cá vou eu em missão. Falar da paz, da imigração, do racismo, da dificuldade que é sermos agentes de paz e comunhão numa sociedade que quer erguer muros de guetto.
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Sentimentos contraditórios também dentro de mim, por um lado a experiência que vai ser viver e não ser turista no Boss do mundo - especialmente em sítos tão diferentes e durante o último mês de campanha - por outro lado deixo o marido um mês inteirinho.

Sexta-feira, Setembro 12, 2008


Das pregações sobre Paulo da minha juventude tinha-me ficado um Paulo Calvinista, severo, iracundo, cheio de leis e regras. Parecia que a presdestinação vinha dos seus lábios directamente, que o baptismo infantil era pecado grave, que uma vida cinzenta e obediente era a sua mensagem. No seminário descobri o Paulo carismático, impetuoso e surpreendentemente (para mim) livre. Sede livres! Libertem-se do peso da lei! Vivam em liberdade! Quão longínquas me pareciam os textos visto sem o olhar das pregações castrantes de um Paulo à imagem e semelhança de moralejas dos bons-velhos-tempos-de-antigamente-tão-diferentes-deste-mundo-roto-e-perverso-de-hoje. O Paulo da bíblia é um homem do futuro: Faz uma exagese bem livre do Antigo Testamento, não se prende a tradições, a sua vida está firmada no futuro e não no passado. A mulher é dignificada por Paulo: Nas comunidades nascentes as mulheres pregam, profetizam ,ensinam, dirigem igrejas.
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Agora que neste ano paulino faço estudos sobre ele, descubro um Paulo terno e cuidadoso. Não critica sem antes elogiar - quando criticamos vamos logo ao assunto. Paulo é um psicólogo: primeiro diz o que está bem, elogia os esforços e só depois aponta os erros. Paulo não é um tecnocrata insensível, ele sente a dor das comunidades e conforta-as. Dá graças a Deus pelas igrejas que fundou, agradece o bem que lhe é feito, preocupa-se pelo irmão mais fraco e pelas perseguições dos outros, não se prende com vírgulas e semi-vírgulas éticas: Façam o que quiserem desde que ame o irmão. É um Paulo pastor.
Imagem: Pablo, El Greco.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Para não ferir sensibilidades...

... os guias dos museus em Nova Yorque já não dizem a.C. ou A.D. /d.C. antes de Cristo ou Ano domini /depois de Cristo. Dizem agora Era Comum. Comum a quê ou a quem? Raspar a história não é ser atencioso com outras culturas, Era Comum é um eufemismo que não altera o ano fundamental, já que ele ainda se centra na vida de Jesus. O ocidente tem uma história e quando se ignora, ou se reescreve a história caminhamos para o totalitarismo e para o autismo. Mesmo em termos puramente históricos houve um homem chamado Jesus a quem seguidores cada vez mais numerosos chamaram Cristo. Este movimento cresceu de tal modo que conquistou um império e o nomeou. A instituição daí nascente cunhou o tempo e a cultura europeia. Pode-se mudar o nome dos anos, mas está-se a amputar o devenir de uma civilização. Assim como não acho que se deva uniformizar o tempo muçulmano ou ortodoxo, não penso que o ocidente deva continuar a apagar a sua história. Fomos uma cultura cristã. Vivemos agora num mundo espiritualista e de costas voltadas para o Deus cristão. Mas não vale confundir e fazer da história um continuum perpétuo, onde o que é hoje se tem que expandir para o passado. Não será também tirania impôr o nosso politicamente correcto ao passado?

Dois homens dois destinos


o A. vai entrar no convento. O M. está numa cama de hospital em coma. 50 anos. Um AVC. Os dois brilhantes. Os dois homens de fé. O M. é de um saber enciclopédico. A pessoa mais culta que eu conheço. Fala meia dúzia de línguas fluentemente e arranja-se em mais outras tantas. Devora livros e sofre. O M. é uma alma atormentada que não consegue suportar as injustiças do mundo. Lutou pela felicidade e pela paz. dirigiu a Amnistia Internacional, construiu casas en bairros de lata, fez alfebetização, procurou a Deus, foi Menonita, sonhou uma comunidade de comunhão, foi seminarista, pregou o amor, despertou vocações, levou a luz de Deus a pessoas que viviam de reflexos da religião, foi profeta do Reino de Deus para o mundo, mas não conseguiu preencher o vazio doloroso que lhe consumia a existência, duvidava das suas capacidades, amava os outros, não se conseguia amar a si mesmo, sucumbiu ao ódio. Procurou o amor e perdeu. Desistiu do amor. Desistiu da paz. Desistiu de Deus. Numa cama de hospital visitam-no amigos aterrados com a perspectiva da sua morte. Senhoras de 90 anos, jovens da igreja, velhos amigos da escola, das tertúlias, da Buchholz, universitários que descobrem agora a política e cultura, skin-heads perdidos, todos se juntam religiosamente na sua cama de hospital e rezam, oram, invocam Thor. O M. é uma referência, é uma alma boa que ninguém quer ver partir. Há pessoas que são engolfadas pelas suas almas. O A. vai entrar num convento porque busca a Deus. O M. está numa cama de hospital porque se zangou com Deus e a sua alma não aguentou a dôr.

Segunda-feira, Setembro 08, 2008

Caminhos


O meu grande amigo A. vai entrar num convento protestante na Alemanha. Enérgico, brilhante, devastador, o A. precisa de estar mais perto de Deus. Para quem o conhece parece algo incrível: desbocado, teimoso, anti-qq-preconceito, um homem da teconlogia, de grandes planos e de grandes eventos, vai recolher a uma cela, fazer votos de castidade, obediência e pobreza, vai viver organizado pelas milenares Laudes, Matinas, Vésperas.
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Ele tem 3 anos antes de fazer os votos finais. Às vezes desejo que seja só uma fase durante a qual ele vai ficar mais perto de Deus, para ficar a orar por nós e ganhar forças para o resto da caminhada e que um dia ainda volta. Ironia que eu como crente pense quer é uma perda que um homem se dedique só a Deus.